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Mercados: Paredes de sustentação obtidas com sanduíche de pedras

Sanduíches de finas fatias de fibra de carbono recheados com um grosso isolante térmico. À direita, Kolja Kuse.(Setembro 2009) Pedras de fibra de carbono, ou CFS (na sigla inglesa), é como se chama uma tecnologia ainda jovem que poderá revolucionar construções. Ela é constituída de pedras, como nos velhos tempos, entretanto não com cubos de pedra maciça (veja a edição de agosto da BusinessStone.com), mas com finas fatias. Essas fatias recebem aplicação de fibra de carbono, que lhes confere qualidades excepcionais: elas são não apenas resistentes à compressão como as pedras normais, ou seja, suportam cargas aplicadas verticalmente, mas também extremamente flexíveis em relação às pressões laterais.

Com esse princípio de sanduíche de placas a empresa alemã TechnoCarbon Technologies desenvolveu o seu mais novo produto. Com 2,7m de altura, que corresponde ao pé-direito construtivo usual, e 1m de largura, esse novo componente construtivo foi testado pela Escola Superior de Técnica e Economia de Chur, na Suíça, e demonstrou resistir a mais de 20 toneladas de carga, o correspondente ao peso de três pisos.

A particularidade da construção com esses sanduíches de placas é que, diferente do comum, a pedra não vai apenas revestir uma parede de cimento, mas agir como elemento de sustentação. Vantagens inimaginadas aparecem na comparação com o cimento. Para começar, as placas são quatro vezes mais leves, o que torna o dispêndio em transporte até o canteiro de obras muito menor.

Mais vantajosas ainda elas se revelam em termos do efeito estufa: sua construção consome muito menos energia e nesse ponto são também muito mais efetivas no isolamento térmico.

Também são mais finas que a parede de concreto usual, medindo no total, incluindo o isolante, apenas 24,5cm, o que se traduz ainda em ganho na área útil da construção. Seu interior é composto de três camadas: as faces da placa são duas chapas de 2cm de granito, que são coladas com uma rede de fibras de carbono em um recheio de 20cm de poliuretano.

Em cima e embaixo, cada placa tem duas superfícies de encaixe. Elas garantem que em um prédio de vários andares o peso de cima seja de fato sustentado pela fatia de CFS e distribuído entre as placas debaixo.

As extensas e finas fatias de pedra não se dobram ao peso em razão da combinação de dois fatores; o primeiro resulta do isolamento, promovido pela liga que cola os elementos, e o segundo pela leve pré-tensão conferida pelas fibras de carbono.

Como em casas pré-fabricadas, os dutos de água e energia são previamente instalados na parede, o que reduz o tempo de trabalho no canteiro de obras.

Uma economia de custos também é obtida pelo uso de fatias de pedra. Uma fachada que exponha esse sanduíche de placas não precisará de limpeza ou manutenção periódica, afinal é composta com pedras decorativas, e o mesmo vale para os interiores.

E como a experiência mostra que os moradores quase sempre querem redecorar as paredes de seus apartamentos, aparece uma possibilidade extra: caso se deseje, por exemplo, aplicar tapeçaria nelas, podem ser encomendadas paredes mais baratas, com defeitos estéticos de fabricação. Os sanduíches de placa podem ser compostos com restos do corte de outros blocos. As fibras de carbono garantem a estabilidade também neste caso.

Mais ainda: caso os sanduíches de placa não tenham sido danificados durante a construção do prédio, eles permanecem reutilizáveis indefinidamente. Com isso parte dos custos de construção se tornariam um investimento no caso de uma futura remoção da construção.

Como o ponto de congelamento externo da chapa de pedra é bastante alto, os climas extremamente frios tampouco representam problema para os sanduíches de placas.

Internamente, os poros naturais das pedras garantem um clima agradável. Eles absorvem a umidade do ar e também a devolvem, de acordo com a temperatura – livres de tapeçaria essas paredes agiriam como controladoras naturais de umidade.

Kolja Kuse, chefe da TechnoCarbon Technologies e criador dessa e de outras aplicações semelhantes (veja abaixo) no momento está focado em duas novas etapas. De um lado, no desenvolvimento de conexões laterais apropriadas para o sanduíche de placas. De outro, é preciso achar investidores para uma produção em massa dessa tecnologia, a fim de que ela se prove na prática um modo construtivo barato e poupador de energia.

TechnoCarbon Technologies

Outras idéias de aplicação:

Na Feira Stone+tec desse ano em Nurenbergue, Kolja Kuse apresentou um sustentáculo de treliças (veja foto abaixo). Ele é composto de finas tiras de pedras, revestidas nas duas faces com fibra de carbono. Segundo Kuse, ele supera a capacidade estática dos sustentáculos de aço, tendo apenas um terço de seu peso e não consumindo as enormes quantidades de energia demandadas por forjas e fornos produtores de aço. Aliás, fibras de carbono podem ser produzida a partir de óleo vegetal.

As propriedades que a fibra de carbono empresta para tornar duráveis pedras milimetricamente finas também estão sendo exploradas atualmente pelos construtores de aviões. A empresa austríaca List produz com esse tipo de pedras os pisos de seus jatos.

Um luxuoso esqui da empresa suíça zai, com alma de pedras de fibra de carbono milimetricamente finas, deve deslizar mais macio sobre a pista de gelo, afirma o produtor (em espanhol).

Também na construção de instrumentos musicais há experimentação com CFS.

Bastante incomum é uma tábua de passar roupa de CFS. Sobre sua superfície o ferro pode deslizar sobre os tecidos sem qualquer esforço. E para o umedecimento das peças de roupa, basta a ação natural desse material: antes de passar a roupa, esfrega-se um pano úmido sobre a tábua, que umedece imperceptivelmente. O calor do ferro atrairá o vapor d’água para o tecido, invertendo o processo dos ferros que exalam vapor.

Também bastante promissor: sustentáculo de treliça de fibra de carbono substitui aço.