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A Casa Flint na paisagem nebulosa da Inglaterra: incomum, mística e inspiradora

Skene Catling de la Peña: Flint House.

Os arquitetos da Skene Catling de la Peña redescobriram materiais de construção como a pederneira e o calcário

O prédio na foto já suscitou muitas interpretações: será isso o resultado da colisão de placas tectônicas no fundo da terra que pressionou essa escadaria de rocha para cima? Ou terão sido ovnis que estacionaram no condado inglês de Buckinghamshire, ao norte de Londres?

Essas pederneiras são encontráveis na fachada da casa.

Passeando além daquele terreno, nos campos da rendondeza, as botas já topam em algumas das muitas pedras que estão espalhadas por todo o lugar. Essas pederneiras são encontráveis também na fachada da casa.

Flint House é como se chamam ambos os prédios em formato de escada, que já receberam um bom número de premiações, incluindo um dos últimos prêmios do Royal Institute of British Architects (RIBA).

O projeto arquitetônico é do escritório londrino Skene Catling de la Peña. Sua chefe foi contratada por Lord Rothschild para criar uma extensão não contígua do famoso castelo Waddesdon Manor. No castelo são apresentadas exposições de arte.

O novo prédio devia ser incomum, se supõe, talvez também algo místico, como é a arte para alguns, e ao mesmo tempo comum à paisagem, mas peculiar dentro dela, e em todo caso inspirador. E dinheiro não era problema; em todo caso, os custos do projeto não foram publicados.

A arquiteta estudou então aquele entorno e encontrou ali mesmo no local a ideia, segundo informa o Financial Times: „Na primeira vez que fui lá, era inverno e havia apenas um campo arado e algumas árvores desfolhadas, mas no chão estavam todas aquelas pederneiras – e elas foram a chave.“

Uma peculiaridade: os prédios parecem ter crescido do chão e suas fachadas são completamente cobertas com essa pedra encontrável por toda a região.

O resultado disso é agora um conjunto, tanto em termos de suas formas quanto por suas características. Uma peculiaridade: os prédios parecem ter crescido do chão e suas fachadas são completamente cobertas com essa pedra encontrável por toda a região.

Casas campesinas típicas nas cercanias de Norfolk com Brick & Flint (tijolos e pederneiras) na fachada. Foto: Pauline E. / Geograph

As pederneiras, é importante informar, foi desde sempre um material construtivo importante no leste da Inglaterra. Ela é uma parte da camada calcária que se inicia em Norfolk e chega à superfície em Dover, cruzando sob Buckinghamshire. Também as falésias dessa camada de calcário são um antigo material construtivo, ao menos em suas variações duras e menos porosas.

As fachadas da Flint House são espetaculares em seus detalhes: elas são compostas de 5 faixas justapostas de pederneiras, que vão variando de escuro, bem embaixo, até claro, bem em cima.

As fachadas da Flint House são espetaculares em seus detalhes: elas são compostas de 5 faixas justapostas de pederneiras, que vão variando de escuro, bem embaixo, até claro, bem em cima. Ao mesmo tempo, o beneficiamento das rochas foi variado: embaixo são blocos brutos e à medida em que sobem são mais e mais angulosos.

Apesar disso, a parte mais baixa foi composta com o assim chamado Galleting: nela os intervalos são rejuntados com brita resultante do próprio beneficiamento da rocha. Foto: David Smith, Flintman Company

Apesar disso, a parte mais baixa foi composta com o assim chamado Galleting: nela os intervalos são rejuntados com brita resultante do próprio beneficiamento da rocha.

Bem acima se segue como finalização sobre a pederneira uma fina faixa de cubos quase brancos de calcário. Em dias nebulosos, se poderia de fato dizer que os prédios se esvanecem nos céus.

A preparação para o trabalho na fachada tomou, sozinha, quatro meses, isso incluiu o corte do material e a separação das peças utilizáveis. Fabulosos 8 meses de trabalho manual foram necessários para emparedar as pedras.

Afinal as fachadas têm, em cada lado, mais de 90 m de comprimento. „Algo assim não era feito há mais de 200 anos“, diz David Smith, chefe da Flintman Company, que executou os trabalhos em rocha ornamental. Ele acrescenta rindo, quando perguntamos sobre o uso de brita como matéria-prima para os rejuntes: „Trata-se de cerca de 1,1 milhão de peças individuais – se tivéssemos sabido antes no que estávamos nos metendo, talvez não tivéssemos aceitado o trabalho.“

Smith é uma figura bastante peculiar no setor de rochas ornamentais britânico. Em breve descreveremos um mais detalhado dele, incluindo as pederneiras.

Na Flint House moram os curadores das exposições realizadas no Waddesdon Manor. No prédio de um andar, com 115 m² de área, encontra-se uma residência-estúdio. Em frente, na parte de dois andares, com 465 m², estão os alojamentos. Entre eles há um caminho pavimentado.

Dentro dos prédios, o design incomum segue impressionando. Citaremos apenas alguns poucos aspectos: no prédio com 2 andares há uma separação entre área comum e privada obtida através de um tipo de curso d’água que é repetido no teto…

Algumas das paredes têm britas originárias das pederneiras, que foram inseridas na argamassa, os móveis foram especialmente projetados.

… algumas das paredes têm britas originárias das pederneiras, que foram inseridas na argamassa, os móveis foram especialmente projetados.

A Flint House já foi merecidamente referida como „obra de arte total“.

E os prédios devem envelhecer: a arquiteta deseja que musgos e líquens se desenvolvam ali na pederneira. „Prédios em que o passar do tempo não se mostra têm em si algo sufocante“, diz uma citação dela no Financial Times.

Skene Catling de la Peña

Royal Institute of British Architects

Financial Times

Flintman Company

Fotos: James Morris

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(30.01.2016)