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Arquitetura: Paredes de rocha viram poupança

(Abril 2012) A confiança dos cidadãos nos bancos já era pouca antes da crise financeira internacional. „Os bancos querem apenas o seu bem, e se possível todos os seus bens“, dizia um provérbio sacana. Pesquisas de opinião do instituto norte-americano Forrester Research mostram que desde o crash de 2008 o processo de perda de confiança segue inalterado. A indústria de rochas poderia capitalizar essa situação. Da França vem o conceito de construção com rochas maciças e oferece ao consumidor a possibilidade de aplicar dinheiro seguramente em sua própria casa: uma vez que a casa seja demolida, as pedras podem ser completamente reutilizadas.

O material de construção, ou seja, a rocha, não entra aqui como fator de custo, mas como investimento. Através disso, uma velha casa torna-se de certa forma uma poupança para outra nova.

Por certo à primeira vista o dinheiro investido em rocha não rende dividendos, mas ele mantém seu valor. Com uma arquitetura sofisticada, contudo, o material empregado ainda recebe valor agregado. Uma concepção moderna de construção massiva desse tipo foi apresentada pela empresa italiana Lithos Design com o designer Raffaello Galiotto na Feira Marmomacc edição 2011.

O conceito foi desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial na França. O princípio fundamental é o do sistema de empilhamento de caixas: desde as pedreiras saem blocos de tamanho médio (80 cm a 200 cm de comprimento, cerca de 100 cm de altura, de 20 cm a 60 cm de espessura) com poucas variações de dimensões. Eles são rejuntados no canteiro de obras de acordo com uma sequência planejada. O cimento não entra nesse processo.

Decisivo nesse tipo de construção é o fato de que uma casa dessas pode ser desmontada com base no mesmo plano. Em consequência, gerações posteriores podem dispor da casa herdada de tal forma que aquele material possa ser empregado na construção de outra casa dotada de técnicas e tecnologias atualizadas.

Experiências registradas na França mostram que os esforços envolvidos no material são, ao contrário do que seria de esperar, pequenos. Os blocos menores são ainda mais baratos do que aqueles encontrados nas dimensões atuais, em razão de que hoje é possível utilizar materiais de segunda categoria.

O sistema de empilhamento de blocos também age no sentido de diminuir custos: em uma casa residencial da França apenas 3 trabalhadores com uma pequena grua resolveram a tarefa de colocar as paredes de pé. Também desaparecem os custos de manutenção da fachada.

Em edições anteriores, apresentamos alguns desses projetos franceses. Nossas fotos mostram o exemplo de um prédio público de rochas maciças, o Museu de Vinho na localidade de Patrimonio, na Córsega. O arquiteto foi Gilles Perraudin, um dos pioneiros dessa ideia.

Contudo, a construção com rochas maciças não é assim tão fácil. Com a estandardização dos blocos, as possibilidades de composição à disposição dos arquitetos são restritas. E também a reutilização deve ser pensada antes da construção original: os canos ou dutos elétricos não podem, como até hoje, atravessar paredes, do contrário as rochas perderão valor.

Com essa nova prática a construção de casas seguiria apenas um desenvolvimento, que já se verifica na construção de máquinas domésticas: uma lavadora, por exemplo, é desenvolvida de modo que mais tarde seus componentes possam ser sortidos de acordo com seus materiais, facilitando a reciclagem.

As limitações para construções massivas também estão no transporte: não faz sentido aplicar esse processo em propriedades muito distantes de pedreiras. Do contrário toda a economia em C02 propiciada pela ausência do cimento se perderá imediatamente. Por outro lado, a preferência por pedreiras locais será revalorizada.

Particularmente interessante nesse conceito é o fato de que uma típica propriedade da rocha passa a ter aplicação prática: sua durabilidade. Isso jamais foi explorado com eficiência pelo setor: o argumento mais utilizado, de que as pirâmides estão de pé há 4 mil anos, até hoje só produziu nos consumidores aquele típico balançar de cabeça.

Nossas notícias sobre esse tema: 1, 2.

Tese de doutorado escrita na Suíça sobre o tema (em francês)

Forrester Research

Lithos Design (Vídeo)

Perraudin Architectes (em francês)

Fotos: Serge Demailly (Mail) / Gilles Perraudin Architectes