Marmomacc: Prêmios internacionais para arquitetura em rochas

Arup Associates: Druk White Lotus School. Photo: Christian Richters

(Janeiro 2014) Durante a Marmomacc, em setembro do ano passado, foi novamente apresentado o Prêmio Internacional de Arquitetura em Rocha. A cada 2 anos um júri premia ideias extraordinárias de construção com rochas ornamentais, tanto contemporâneas quanto antigas; esta foi sua 13ª edição.

Entre os agraciados estavam os arquitetos da Arup Associates, pela composição do Druk White Lotus School na cidade de Ladakh, na Índia. Foram utilizadas ali rochas do sopé do Himalaia, material construtivo típico da região. Os arquitetos também orientaram-se pelo estilo arquitetônico local.

Josep Mias Architects: Banyoles. Photo: Adriá Goula

Outro prêmio foi recebido pelo escritório Josep Mias Architects pela reforma do centro histórico de Banyoles, uma localidade da Espanha.

Sua particularidade são canais bastante antigos, que há muito tempo atravessam o centro da pequena cidade. O material típico ali é o travertino de Banyoles.

Carl Fredrik Svenstedt: Stone House. Photo: Hervé Abbadie, Eric Laignel

Construção com rochas maciças e reciclagem de pedras foram as categorias em que se destacou o professor de arquitetura Carl Fredrik Svenstedt. Sua obra foi a „Casa de Pedra“ („Stone House“) em Lubéron, na França, construída com calcário reaproveitado Pont du Gard.

O prédio pertence ao Parque Natural Luberón, e compreende também as ruínas de uma antiga casa de camponeses, em rocha.

Ufficio Sassi Matera: Casa Cava. Photo: Piermario Ruggeri.

Uma Menção Honrosa foi concedida aos urbanistas do Ufficio Sassi Matera pela composição do centro cultural Casa Cava. Ela fica nas grutas de Matera, na província de mesmo nome no sul da Itália.

Ali o tufo predomina nas encostas dos morros e neles os humanos do período Neolítico escavaram suas casas. Em 1993 a Unesco declarou o local Patrimônio Cultural da Humanidade.

Alessandro Anselmi: Cimitero di Parabita. Photo: Vincenzo Pavan

O prêmio na categoria „Ad Memoriam“ (Premio Alla Memoria) foi conferido ao arquiteto Alessandro Anselmi (1934-2013), que projetou em conjunto com Paola Chiatante o cemitério de Parabita no extremo sul da Itália.

Com suas construções no estilo de uma cidade fantasma surreal, os dois influenciaram fortemente a arquitetura italiana dos anos 1970. Foi utilizado na obra o calcário local, Caparo.

Dry-stone architecture: Pagliaro pugliese. Photo: Vincenzo Pavan

O prêmio na categoria „Arquitetura Popular“ destacou os muitos prédios de pedra-seca encontrados em torno do Mediterrâneo, erigidos no Neolítico e na Idade do Bronze. Talvez houvesse na época uma cultura megalítica de „arquitetos anônimos“, que viajavam a região espalhando suas técnicas de Portugal à Itália, conforme especula o release de imprensa da Marmomacc.

Outros prêmios foram para Alberto Campo Baeza, da Espanha, e Max Dudler, Alemanha, cujos trabalhos já apresentamos aqui (1, 2).

O projetos premiados são ricamente detalhados no livro „Re-Load Stone“ (editado por Vincenzo Pavan, Arsenale Editrice, ISBN 978-88-7743-392-3, com muitas fotos, textos em italiano e inglês).

(15.01.2014)